Reforço intensivo e reflexão sobre a prática fazem a diferença na Matemática, em cidade piauiense

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A qualidade da educação pública do município de Vila Nova do Piauí foi destaque nacional mais uma vez. Uma série de reportagens especiais do movimento ‘Todos Pela Educação’ selecionou municípios brasileiros com melhora significativa no desempenho em matemática, entre 2009 e 2011, em suas redes públicas. A publicação último dia 24 de abril faz uma radiografia da cidade piauiense com melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do Estado.
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Confira a matéria na íntegra:
Reforço intensivo e formação continuada dos professores. Essas duas estratégias estão fazendo Vila Nova do Piauí, município do interior piauiense, a 370 quilômetros de Teresina, avançar em matemática. Os dados impressionam: em 2009, a cidade tinha 25% dos alunos do 5º ano com aprendizado adequado na disciplina. Em 2011, a taxa saltou para 54,4% — uma diferença de 29,4 pontos percentuais. No 9º ano, apesar de taxas bem mais baixas, também houve progresso: entre 2009 e 2011 o crescimento foi de 13,6 pontos percentuais – de 15,8% para 29,4%.
Vila Nova é um município novo, criado em 1995. Tem Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de apenas 0,565. Considerado baixo, dá à cidade a 4941ª posição entre os demais municípios brasileiros. Apenas 31,59% da população de Vila Nova com 18 anos ou mais concluiu o Ensino Fundamental e somente 25,48% da população entre 18 e 20 anos já terminou o Ensino Médio. Apesar dos números ruins, a contrapartida na atual Educação Básica do município é animadora. A cidade tem 100% das crianças de 5 e 6 anos frequentando a escola e 72,13% da população entre 11 e 13 anos frequentando os anos finais do Ensino Fundamental ou com essa etapa já concluída. Os avanços conquistados em matemática nos últimos anos destacam o município do contexto estadual e nacional. Enquanto o Piauí tem apenas 18% dos alunos com aprendizado adequado na disciplina nos Anos Iniciais, Vila Nova tem 54,4%. A taxa brasileira é de 33%. Para os Anos Finais, o Piauí tem apenas 9% dos estudantes com aprendizado adequado na disciplina, taxa inferior à média do País, que é de 12%. Vila Nova está com 29,4%.
Cardápio de ações
Não são poucas as ações adotadas por Vila Nova com foco na melhoria da aprendizagem das crianças e jovens. Desde 2007, a prefeitura instituiu um trabalho de reforço escolar do 1º ao 9º ano. “Antes disso, apenas os alunos que tinham dificuldades participavam. Depois que aderimos ao Mais Educação (programa de Educação Integral do MEC), todos os estudantes passaram a fazer aulas de reforço de língua portuguesa e matemática no contraturno”, explica a secretária de Educação, Gorete Leal.
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Por meio do Mais Educação, a escola da rede que aderiu escolhe, a cada ano, seis atividades de uma lista de opções – entre elas estão o acompanhamento pedagógico em diversas disciplinas, incluindo matemática.
A realização de simulados bimestrais para o segundo ciclo do Fundamental é outra tática adotada pelo município, essencial para verificar se as aulas e o reforço estão surtindo efeito. Também realizados desde 2007, esses testes são formulados com base nos materiais didáticos e no conteúdo dado em sala. Os professores preparam, aplicam e corrigem as provas. O diagnóstico constante é matéria-prima para outra prática valorizada no município: a formação continuada dos docentes. “Com os resultados, sabemos individualmente onde estão as dúvidas e os problemas dos alunos com a disciplina”, explica Jasmira Leal, coordenadora pedagógica dos Anos Finais do Ensino Fundamental. “Sentamos com os professores para debater as dificuldades: é equação? É geometria? Com isso, ele tem um diagnóstico constante e preciso para poder focar o planejamento em temas mais necessários.”
Outra atividade instituída na rede é o chamado “tarefão”, lição de casa mensal com cerca de 20 questões. “Os temas do ‘tarefão’ variam e dependem do que eles estão aprendendo no momento, mas é levado bastante a sério porque vale nota”, afirma Maria. “Percebemos que é uma das ações que mais contribui no processo de aprendizagem das crianças”, afirma Maria Josemaura de Carvalho Deus, professora de matemática de 5º e 6º anos em duas escolas municipais da cidade.
O fato de o município ser pequeno ajuda. Ao todo, a rede tem cerca de 500 alunos matriculados. De acordo com os profissionais, isso aproxima professores e coordenadores, o que facilita o trabalho em equipe.
“Conseguimos, com isso, desenvolver um trabalho próximo às famílias – a maioria é de baixa renda e muitos são inscritos no Bolsa Família. Para os anos finais, fazemos reuniões a cada dois meses com as famílias. Já para os iniciais, os encontros são mensais”, afirma Jasmira.
Gestão
O material didático na rede municipal é praticamente todo recebido por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Mas há algumas complementações, por exemplo, com jogos educativos (também do PNLD) em sala de aula.
Além do PNLD e do Mais Educação, Vila Nova aderiu a outros programas do MEC, como o Programa Gestão da Aprendizagem Escolar (Gestar II, que dá suporte para a formação continuada em língua portuguesa e matemática para os Anos Finais), o Pró-Letramento (formação continuada em língua portuguesa e matemática para os anos iniciais) e o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic).

O currículo da rede foi elaborado no próprio município mas, segundo a secretaria, precisa ser atualizado. “Temos de renová-lo, porque o texto é de 2007”, lembra Gorete.
Formação
A formação continuada dos professores se dá no Horário de Trabalho Coletivo Pedagógico (HTCP), com a discussão dos problemas dos alunos e o debate intensivo sobre as principais dificuldades. “A coordenação das escolas está orientada para fazer esse acompanhamento contínuo dos professores, sempre focando nos obstáculos que as crianças estão enfrentando”, afirma Gorete. “Além disso, neste ano o foco do Gestar é a matemática, para reforçar ainda mais o preparo dos professores.”
“A coordenação da secretaria visita as escolas semanalmente – às vezes, até duas vezes por semana. Nessas visitas, os professores comentam sobre as dificuldades de cada aluno na aprendizagem de determinados conteúdos. É uma discussão constante, para não acumular problemas”, explica Jasmira. Bimestralmente, ocorrem encontros de formação fora do horário de aula. Nesses momentos, professores e coordenação debatem sobre as principais dificuldades encontradas nas turmas. Os diagnósticos das avaliações são comparados com o que é feito no início do ano, para saber em que nível os alunos estão ao começar a nova série. “O resultado é sempre um trabalho em conjunto, lado a lado”, afirma a professora Maria.
Participação
O avanço no desempenho dos alunos reflete na participação do município em competições de desempenho de matemática. Neste ano, Vila Nova teve três alunos certificados na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). A cidade participa também de concursos de outras áreas de exatas, como química, física e astronomia.
Vila Nova do Piauí está em um levantamento realizado pelo Todos Pela Educação, que selecionou municípios brasileiros com melhora significativa no desempenho em matemática, entre 2009 e 2011, em suas redes públicas. Todos serão retratados nesta série de reportagens. A primeira delas revela os avanços conquistados por Tanque do Piauí, outra cidade do estado que vem apresentando bons resultados na disciplina.
Além do crescimento no desempenho, o recorte considerou apenas municípios de nível socioeconômico baixo, levando em conta a renda média mensal das famílias. Ou seja, as crianças que estudam nessas escolas são alunos que conseguiram melhorar o desempenho, mesmo vivendo em condições socioeconômicas desfavoráveis. O levantamento considerou dados dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental para a Meta 3 do Todos Pela Educação: todo aluno com aprendizado adequado ao ano em que está matriculado.
A série procura identificar as políticas públicas e as ações de formação docente adotadas nesses municípios que resultaram em evolução na aprendizagem de matemática. Dados de 2013 mostram que apenas 10% dos jovens que concluem o Ensino Médio saem da Educação Básica com o aprendizado adequado para a disciplina.

O último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de Vila Nova, que é de 2011, é 6,1 para a rede municipal – em 2009, era de 4,3. O atual valor supera as metas do Ministério da Educação (MEC) projetadas para o município até 2021, quando deveria atingir 5,9. Os índices municipais são exatamente os mesmos se observada a rede pública da cidade. O índice vai de zero a dez.
Já o Ideb dos anos finais da cidade é 5,5 – em 2009, era 5,0 –, valor que supera a meta projetada para 2021, que é de 4,6.
Atualmente, o Ideb de todo o Brasil para o Ensino Fundamental I é 5,0. Para o II, é 4,1.
Fonte: ASCOM com informações Todos Pela Educação
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