Crônica: o protesto (Por João Moura)


Por João Moura

Brasil planeta terra ao mês de junho de 2013. Cidades em clima de festa... mas precisamente para comemorar o quê? Ah talvez nosso grau de ignorância, a sujeira das ruas, as balas que são aplicadas em cara de favelados suspeitos e, por vezes, desviadas para algum burguês - vítima do ódio dos mais pisoteados. Parece não ser bem uma comemoração, ainda que se veja no rosto da maioria um semblante alegre e frenético; é importante salientar que este país é de um povo altamente simpático, que não cria nem um tipo de inimizade com outros povos – esqueçamos a Guerra do Paraguai que foi uma invenção dos ingleses e quem mais tem, manda mais! – Certamente não nos tira o mérito de bons negociadores, povo jeitoso, que usa os cofres públicos com a mesma cautela que o de casa, e, podendo até ser o mesmo. Afinal a residência pode ser uma extensão da empresa, mesmo que esta seja pública; faz parte do prezo que se tem pelo matrimônio.

Voltemos à festa das avenidas, agora já não são mais os “diretas já,” nem os “fora - Collor” e sim uma juventude de cabeça baixa, ligada 24 horas por dia em tablets, Iphone, Ipads e todo um mundo virtual, individual, que não escreve mais a língua padrão, mesmo que sem orgulho patriótico, tampouco se junta para discutir propostas concretas, mas que reivindica de forma lúdica à vista de quem tem bom senso.

Imagem: DivulgaçãoEssa é boa!(Imagem:Divulgação)Essa é boa!
O repórter leva uma pedrada na cabeça e evita fazer uma pergunta tão inteligente como: - Vocês vieram de suas casas para cá? – Mas são centenas de repórteres... então outro inquire: - Por que estão assim na rua? Alguma insatisfação? – A turma responde que quer educação e saúde. Como se pudesse haver educação sem ler um livro, tendo uma escola pública com mero desejo de estatística sobre matrículas, saúde boa em meio a esgoto, baratas, pernilongo, mosquito da dengue, ratos e demais bichinhos indesejáveis... sem falar da possibilidade de importar médicos da Bolívia, Haiti, Sudão, Congo; porque nossos estudantes não conseguem passar no vestibular, de vagas restritas, em que a concorrência tira a possibilidade de muitos que não têm a sorte de estudar numa escola particular. Já o outro item que provocar intifada, segurança, é um tanto contraditóri o, pois se houvesse reprimiria o próprio levante! Uma vez que este depreda prédios, carros, polícia e tudo que vê pela frente.
Imagem: DivulgaçãoPense bem antes de votar em 2014.(Imagem:Divulgação)Pense bem antes de votar em 2014.
Quando um comercial de TV de uma montadora de veículo criou esse termo: “Vamos para a rua” o que não tem nada a ver com baderna, logo foi incorporado pela juventude, não dizendo que esta não seja altamente criativa, mas é aquela mania de quanto menos esforço, melhor... e se foi às ruas, mas o resultado está confuso até porque a queixa também o é. Que ironia do destino! Tantos países com poucos recursos naturais e com gente administrando! O mesmo não se pode dizer do país do carnaval, futebol, que mais parece uma diversão eterna em que se pode viver de festa somente, e, quando alguém se diz indignado com o sistema, fala um discurso arrebatador, promove e incita motins não tem um objetivo condizente com nada do que prega, porém, no fundo, quer apenas subir um degrau ao paraíso – andar com roupa de marca, carro de luxo, jatinho e acumular montanhas de dinheiro. Como escolher o bom candidato? Não há uma receita que surta efeito. São pessoas distantes dos pobres mortais, em que se pode ver à distância em épocas de campanhas para apertar na mão de alguns imbecis que faltam terra aos pés como se isto fosse a maior glória da vida e por certo, aqueles, têm uma técnica principal de encarar o povo: a pressa, como se fossem estrelas ou tivessem tanta coisa para fazer! Ora! Santa ingenuidade das massas! Depois vão rir das caras desfiguradas, bocas fedidas, mãos calejadas e mentes passivas de qualquer absurdo imposto garganta a baixo. Beber importados, cair na rotina que passa longe do que aparenta, isto é, marcar bacanal entre outras diversões no que limita apenas à História, com algumas exceções de poucos países, o resto sempre foi assim desde os primórdios da humanidade.
Imagem: DivulgaçãoHá apenas uma pequena diferença!(Imagem:Divulgação)Há apenas uma pequena diferença!

Democracia? Direitos do cidadão? É, de fato, têm tantos direitos que dava até para ser menos prolixo e efetivar as principais bases de sustentação. E a cultura? Onde entra nesta história? Mais está para uma corrente dadaísta, de sufocar tudo, suplantar qualquer ideia, banir todas as tentativas de acerto. Seja oportuno fazer novo protesto contra o primeiro e qualquer tipo de eventual protesto! Assim vai passando o tempo que quando ocioso parece demorar muito, ser infinitamente monótono... a rua lotada escorrega sem objetivo aos olhos do mundo que se pergunta: “O que está acontecendo no Brasil? Será que está faltando sexo para as brasileiras? Aumentaram as penas para os bandidos? Ou puseram algum político na cadeia?” E tão logo se desliga e vai trabalhar; afinal, não é em todo canto do globo que se vive sem saber que dia é da semana, parecendo um grande e infindo feriado. Adão e Eva não sabem o que seus pecados deixaram de atingir.

João de Moura Leal é professor da rede estadual e municipal de ensinopoeta e cronista.
Fonte: Prof. Francisco de Assis Sousa
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