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10/08/2018 ás 16h28 - atualizada em 10/08/2018 ás 16h30

Redacao

Vila Nova do Piauí / PI

Eclampsia é a principal causa de morte materna
Só em 2018, 22 mães já faleceram ou durante a gestação ou até 42 dias após o término da gravidez no Estado do Piauí
Eclampsia é a principal causa de morte materna
Foto: Reprodução

A mortalidade materna é definida pela Organização Mundial da Saúde como a morte da mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gravidez, devido a qualquer causa relacionada ou agravada por ela. A mortalidade materna envolve uma série de fatores e é uma questão que demanda atenção dos órgãos responsáveis. No Piauí, em 2018, já ocorreram 22 óbitos maternos. Desse total, duas mortes são de mulheres residentes em Teresina.


Os dois casos ocorreram na Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER), sob suspeita de infecção hospitalar. O último deles ocorreu no mês passado e a mulher morreu após ser submetida a uma cesárea. Uma terceira gestante foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com a mesma suspeita de infecção hospitalar. Estes casos, bem como a situação da maternidade, são acompanhados pelo Ministério Público do Piauí. Contudo, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), a principal causa de mortalidade materna no Piauí é a eclampsia.


A coordenadora de Atenção à Saúde da Mulher da Sesapi, Alzenir Moura Fé, explica que outros óbitos podem ter acontecido em Teresina, mas eles são notificados de acordo com a cidade de origem da paciente. Elas vêm de outros municípios em estado grave e acabam falecendo em Teresina. Em 2017, foram 32 óbitos maternos, sendo cinco de residentes em Teresina. Em 2016, foram 38 óbitos maternos no Piauí.


A mortalidade materna é monitorada por um comitê especial no Piauí desde os anos 1990. Em 2013, a entidade foi ampliada e passou a ser chamada de Comitê Estadual de Prevenção do Óbito Materno, Infantil e Fetal, cobrindo não só a mortes de mães, como de bebês e fetos. Segundo Alzenir, o comitê objetiva a vigilância sobre ocorrência de mortes, a cobrança de investigação de causas e fatores determinantes dos óbitos, bem como propor medidas de intervenção. Assim, o comitê tem papel eminentemente educativo.


Desde 2008, o Ministério da Saúde estabelece que todas as mortes de mulheres em idade fértil, entre 10 e 49 anos de idade, precisam ser investigadas pelo Comitê de Mortalidade Materna de cada região do Brasil para buscar as causas.


“Existe uma meta estabelecida de que a gente tente reduzir em pelo menos 5% os índices de morte maternas no ano. A gente tem alcançado essa meta. Entre 2011 e 2017, houve redução de 21,08% na mortalidade materna após seis anos de implantação da Rede Cegonha no Piauí”, destaca Alzenir.


Enfrentamento da questão


Segundo Alzenir, a Maternidade Dona Evangelina Rosa recebe 15% das grávidas de alto risco no Piauí e é a segunda maternidade em número de partos no Brasil. Ela explica que uma das estratégias para reduzir o número de mortes é qualificar os médicos e enfermeiros na atenção básica, treinando-os sobre os procedimentos em pré-natal. Pensando nisso, o órgão realiza, nos dias 23 e 24 de agosto, uma série de cinco treinamentos no Piauí. No total, 125 médicos e 125 enfermeiros, procedentes de municípios onde ocorreram mortes maternas, serão treinados.


Edição: Virgiane Passos

FONTE: Por: Ananda Oliveira/ODIA

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