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Raiva, culpa, inveja, orgulho; saiba como lidar com as emoções negativas

Todas as emoções são normais e têm uma função adaptativa. O importante é saber lidar com elas para que nos ajudem ao invés de se tornarem um obstáculo. O problema não é sentir culpa, raiva, inveja ou orgulho, mas se tornar um indivíduo comandado por essas emoções.


O Brasil é o campeão mundial de ansiedade, 18 milhões de pessoas convivem com este sentimento que pode fazer muito mal à saúde.

E as emoções negativas? O psiquiatra Luiz Alberto Hetem explica como lidar com a culpa e a raiva e não descontar na comida. A Dra. Ana Escobar, consultora do programa Bem Estar / Rede Globo, dá dicas sobre o que fazer com as crianças que mordem.

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Todas as emoções são normais e têm uma função adaptativa. O importante é saber lidar com elas, pois podem nos ajudar em determinadas circunstâncias. As emoções negativas, no entanto, podem se tornar um obstáculo ao desenvolvimento pessoal se passarem despercebidas e influenciarem livremente a vida mental, a ponto de nos comandarem e serem confundidas com a nossa personalidade. Por isso é preciso reconhecê-las, transformá-las em sentimentos, que são a experiência consciente da emoção. A partir disso é possível refletir e decidir o que fazer com elas. O problema não é sentir culpa, raiva, inveja ou orgulho, mas se tornar um indivíduo comandado por essas emoções.

Raiva: indica o que não nos agrada, o que não aceitamos. Se canalizada, pode ser construtiva. Culpa: sinaliza atitudes nossas que podem ser prejudiciais aos outros, mas é preciso que isso seja reduzido ao seu devido tamanho. Orgulho: garante autoestima e estímulo para seguir, mas tem de ser amparado para não isolar a gente dos outros. Inveja: indica o que possivelmente queremos alcançar e possibilita a reflexão sobre a viabilidade de conseguirmos, a influência de fatores externos e se realmente aquilo é um desejo nosso ou algo para simplesmente ser admirado. Deve ser admitida e aceita. Não será problema desde que permaneça no seu universo privado, a mente.

Todo sentimento é uma emoção, mas nem toda emoção é um sentimento. Quando temos consciência da emoção, ela se torna um sentimento. Cada emoção possui um padrão único e individualizado de sensações corporais e pensamentos, que permite sua detecção precoce e a percepção de sua interferência antes de se tornarem nocivas. É no nível comportamental que podemos agir.

Há quem prefira não mexer nisso porque realmente é difícil, mas o emaranhado pode se tornar cada vez pior, a ponto de impedir o entendimento do que está acontecendo. O caminho do autoconhecimento pode ser por meio da psicoterapia, mas parar quieto, analisar-se, escrever e fazer exercícios de meditação e relaxamento também podem ajudar a "desembaraçar" o emaranhado de emoções.

O processo de mudança na maneira de lidar com as emoções costuma ter quatro etapas: transformar emoção em sentimento, identificar o sentimento tardiamente, depois do efeito nocivo, identificar o sentimento em tempo real e antecipar e se prevenir contra prejuízos daquela emoção.

Como lidar com a raiva – Ouça! Deixe a pessoa falar sem interromper. Falar é uma forma de colocar para fora toda a energia gerada por uma "explosão" de raiva. Escute-a atenciosamente, sem críticas ou expressões faciais de reprovação. Se você não concorda, segure-se um pouco. Este não é o momento de discutir.

Evite frases do tipo "eu falei que isso ia acontecer" ou "a culpa é toda sua". Em um primeiro momento, dificilmente as pessoas estão abertas para reconhecer os próprios erros e falar isso só irrita mais quem você pretende acalmar. Aguarde o momento certo para discutir o que aconteceu e saiba que isso pode demorar. É preciso calma para uma reavaliação tranquila e real do que houve e o silêncio solidário, muitas vezes, é um grande companheiro. Se você não sabe o que dizer, simplesmente não diga nada.

Crianças – Lidar com a frustração é uma forma de crescimento, por isto, é muito importante impor limites. O primeiro passo é os pais ou cuidador terem autocontrole. Permaneça no mesmo ambiente e pratique a "desprezoterapia", ou seja, fique no mesmo ambiente que a criança, mas mantenha-se distante, lendo ou olhando o celular, fazendo outra coisa, ignorando a presença dela e o "escândalo" que está fazendo. Se a birra for em local público, tenha a mesma postura. Não argumente. Espere a criança se acalmar e quando for conversar, use uma voz firme e segura. Não grite. Se durante a crise, a criança agredir fisicamente alguém, dê um castigo, como proibir um brinquedo que ela gosta, por exemplo. É importante que ela aprenda desde cedo que os nossos atos têm consequências.

Como lidar com a culpa – Identifique o porquê do sentimento de culpa, esse é o primeiro passo para que se possa, na sequência, avaliar se ele é proporcional ao "delito" cometido. Recupere o contexto em que o erro se deu, para que seja possível um julgamento justo. Não é adequado incorporar ao caso informações que surgiram após a ocorrência, desconhecidas na ocasião. Lide com seu sentimento como faria com o de um amigo ou amiga, não seja mais duro consigo do que seria ao escutar ou acolher um amigo.

O objetivo não é eliminar a culpa, mas redimensioná-la. O sentimento de culpa na medida certa talvez seja o que mais proporciona aprendizado a partir de erros cometidos, ao desenvolvimento pessoal.


Fonte: G1/ Bem Estar
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