Zika pode ser transmitido pelo pernilongo, diz pesquisador

23 julho
Uma pesquisa inédita realizada pela Fiocruz detectou a presença do vírus zika em mosquitos Culex quinquefasciatus, a popular muriçoca.

Uma pesquisa inédita realizada pela Fiocruz detectou a presença do vírus zika em mosquitos Culex quinquefasciatus (a popular muriçoca ou pernilongo doméstico) coletados na cidade do Recife. Isso vem a confirmar a espécie como potencial vetor do vírus causador da zika.
O mosquito “Culex quinquefasciatus”, conhecido como muriçoca ou pernilongo doméstico- Foto: Reprodução
Em entrevista ao Notícia da Manhã desta sexta-feira (22), o médico e pesquisador, Carlos Henrique Nery Costa, disse que a investigação trouxe uma notícia muito forte e surpreendente. “Se for confirmada, todo o programa de controle dessas doenças precisam ser reforçadas. Inclusive do Zika, que ainda possui muitos mistérios”.
O pesquisador destacou ainda que ela encontrou o Zirus dentro do mosquito, estando o vírus também presente nas glândulas salivares, que é a ultima etapa da transmissão para o hospedeiro humano.
Ele ressaltou que a mudança do pernilongo doméstico é muito mais forte e recorrente do que a do Aedes aegypti.
“As evidencias são muito fortes. A mudança do Culex com relação ao Aedes é muito forte, o que poderia explicar muitas coisas na transmissão”.
“O que ainda não foi demostrado ainda é que se os mosquitos infectados pelo Zika Virus são capaz de transmitir ou transmitem para outras pessoas. Essa última evidência está faltando. Falta a gente medir também o que chamamos de capacidade vetorial porque ainda se está medindo a competência, ou seja, a capacidade de se infectar”, explicou o médico.
O Pernilongo
O pernilongo é uma espécie de mosquito mais abundante no ambiente urbano das áreas tropicais e subtropicais, podendo estar presente em uma densidade 20 vezes maior que o Aedes aegypti.
Pesquisa
A pesquisa foi conduzida pela Fiocruz Pernambuco na Região Metropolitana do Recife, onde a população do Culex é cerca de 20 vezes maior do que a população de Aedes aegypti. Os resultados preliminares da pesquisa de campo identificaram a presença de Culex quinquefasciatus infectados naturalmente pelo vírus zika em três dos 80 grupos de mosquitos analisados até o momento. Em duas dessas amostras, os mosquitos não estavam alimentados, demonstrando que o vírus estava disseminado no organismo do inseto e não em uma alimentação recente num hospedeiro infectado.
A coleta dos mosquitos foi feita com base nos endereços dos casos relatados de zika nas cidades do Recife e Arcoverde, obtidos com a Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco (SES-PE). O número total de mosquitos examinados na pesquisa foi de aproximadamente 500. O objetivo do projeto é comparar o papel de algumas espécies de mosquitos do Brasil na transmissão de arboviroses. Foi dada prioridade ao vírus zika devido a epidemia da doença no Brasil e sua ligação com a microcefalia.
A partir dos dados obtidos, os pesquisadores afirmam que serão necessários estudos adicionais para avaliar o potencial da participação do Culex na disseminação do vírus zika e seu real papel na epidemia. De acordo com a Fiocruz, o estudo atual tem grande relevância, uma vez que as medidas de controle de vetores são diferentes.
Com informações do Extra
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