Crônica: Ambição e ódio (Por Francisco de Assis Sousa)

14 maio


Por Francisco de Assis Sousa

Por mais de 400 anos, os Hebreus alimentaram, de forma escrava, o Império Egípcio construindo seus monumentos, suas cidades, suas glórias. Porém, em todo esse tempo, não esqueceram a terra natal, nem o seu Deus. Nem Deus se esqueceu deles. É com essas informações que começa a projeção do épico Êxodo – deuses e reis, obra prima do cinema, dirigida por Ridley Scott. Estrelado por Christian Bale, Joel Edgerton e John Turturro, o longa metragem é uma adaptação da história bíblica do Êxodo, segundo livro do Antigo Testamento. 

O filme narra à vida do profeta Moisés (Christian Bale), nascido na época em que o faraó ordenou que todos os homens hebreus nascidos fossem afogados. Moisés foi resgatado pela irmã do faraó, criado com a família real e considerado príncipe. Quando se tornou adulto, expulso do palácio e morando em uma aldeia de pastores, recebeu a orientação de Deus para voltar ao Egito, com o objetivo de libertar os hebreus da opressão. No caminho, devia enfrentar a travessia do deserto e passar pelo Mar Vermelho.

Naquele tempo, mesmo sendo o mandatário das terras do rio Nilo, o faraó Mênfis manifestou muita confiança em Moisés e temia entregar o trono ao seu filho mais velho e sucessor imediato, Ramsés. “O homem que busca poder é mais preparado para conquistá-lo do que para exercê-lo”, afirmou o rei egípcio. Com isso, pediu união entre os irmãos. Ato totalmente impossível de acontecer quando existem ambição e inveja em uma das partes. E eram esses os sentimentos que dominavam o príncipe herdeiro. 

Ao assumir o Império, Ramsés intensificou o trabalho e os castigos ao povo hebreu. Quando descobriu a origem de Moisés, sua sentença de morte foi decretada. Ao fugir do Egito, Moisés recebeu abrigo em uma comunidade de pastores e, por lá, estabeleceu moradia, casou-se e teve um filho, Gérson. Em suas andanças pelo deserto, recebeu os primeiros sinais de Deus que incumbiu-lhe com a dura missão de libertar o seu povo da escravidão e guia-los a Canaã, a terra prometida. 

Durante esse processo, Deus derramou sobre o Egito inúmeras pragas. Disseminou plantações com nuvens de gafanhotos, nevoeiros de moscas e de sapos invadiram as residências e, por fim, todos os primogênitos tiveram morte súbita, incluindo humanos e animais. Com isso, Ramsés autorizou a libertação dos israelitas. Porém, dias depois, revogou a decisão, convocou o exército e pôs-se a persegui-los. 

Enquanto Moisés conduziu os escravizados, com maestria, pelas montanhas; o rei do Egito seguiu, a todo custo, no seu encalço. Na trajetória, vários soldados, esgotados pelo cansaço, ficaram pelo caminho; outros despencaram das encostas que cercavam as montanhas e tiveram o seu fim. Mesmo assim, com tantas desgraças sofridas, Ramsés não recuou um milímetro sequer de sua ambição carregada de vingança, autoritarismo e ódio. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Até a próxima!

Francisco de Assis Sousa é professor e cronista. 
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