Crônica: "Ao vencedor, as batatas!" (Por Francisco de Assis Sousa)

21 julho
Por Francisco de Assis Sousa

Já era noite quando o mais famoso cartão postal do Brasil resplandeceu em preto, vermelho e amarelo. Anunciava que o futebol mundial, a partir daquele momento, tinha um novo dono, a Alemanha. Dali, o Cristo Redentor assistiu a assistência de Schürrle para o domínio no peito e o voleio de Götze, nos minutos finais da prorrogação da partida decisiva da 20ª Copa do Mundo, disputada entre Alemanha e Argentina, no Maracanã.
Imagem: Divulgação

Alemanha comemora a conquista da Copa, no Maracanã.
Europa e América do Sul, mais uma vez, mediram forças para ver quem teria o poder de dominar o futebol mundial até o final da Copa de 2018, que será disputada na Rússia.  Foi o jogo de uma Alemanha leve, disciplinada, compacta, esbanjando categoria, contra Messi, que hora por outra passava a mão na coxa, e a companhia de bravos argentinos que lutaram dignamente até o apito final.

Contrariando as expectativas e a torcida das pessoas que tentaram usar o evento para “queimar” a imagem administrativa do país, essa não foi a Copa do Mundo do Brasil brilhante dentro de campo, como muitos esperavam. O desempenho de nossa seleção é assunto para outro momento. Essa foi a Copa do Mundo de todos os povos e, principalmente, do brasileiro que recebeu tão bem os visitantes. Foi a Copa para mostrar ao mundo o nosso arroz com feijão, a canjica, o churrasco, o acarajé, o vatapá, o chimarrão, o caranguejo, a amazônia, o pantanal, as dunas de Natal, o conjunto arquitetônico de Salvador, a batucada, a capoeira, a saborosa aguardente, as praias, principalmente as do nordeste;  e o sorriso do povo que desabrochou de ponta a ponta nesse imenso Brasil de meu Deus.

Essa foi a Copa da criatividade, da diversão e o momento propício para descolar um trocado. Como esquecer as bici-taxis de Fortaleza? Ao invés do automóvel e da moto, estava lá à bicicleta. Pois é. A 3 quilômetros do estádio, só era permitido o acesso a quem portasse o bilhete da entrada. Essa era uma das normas de segurança para proteger os torcedores e garantir o bom êxito do evento. Para evitar essa caminhada, por R$ 10,00, R$ 5,00, estavam lá os bici-taxis a disposição dos torcedores para conduzi-los ao Castelão. No decorrer do percurso, ambulantes ofereciam água, refrigerante, cerveja, espetinho de carne, balinha, bandeiras, camisas das seleções e de clubes, bonés e outros atrativos destinados aos torcedores.

No final da festa, venceu o planejamento em longo prazo, a entrega, o comprometimento tático e a eficiência de quem costuma fazer as coisas como deve ser. É o dever pelo dever, como disse um dia o filósofo, Immanuel Kant. Venceu quem teve os melhores jogadores, equilíbrio emocional, quem trabalhou mais, quem se dedicou mais. Copa do Mundo não é um torneio para aventureiros, do já ganhou. Tem que fazer valer dentro das quatro linhas. O país sede, muito pouco influencia se não possuir um time a altura de sua ambição. Viva o futebol! Viva a Alemanha! Viva o povo brasileiro!

Francisco de Assis Sousa é professor e cronista. Mestrando em Ciência da Educação pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa-Portugal. Email: frassis88@hotmail.com

Fonte: Prof. Francisco de Assis Sousa via TVCANAL13


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