Crônica: O escárnio da modernidade (Por Francisco de Assis Sousa)

05 junho

Atualizada em 03/06/2012 às 10h55
Por Francisco de Assis Sousa

Crônica: O escárnio da modernidade

O crescimento desordenado dos centros urbanos, impulsionado pelo advento da industrialização e a promessa de melhores condições de vida nas cidades fizeram com que o homem ativasse, ainda com mais propriedade e perspicácia, o seu comportamento instintivo de destruição amparado no discurso de que é preciso acompanhar as mudanças que o tempo lhe impõe.

As coisas mudaram. “Tenho que colocar a minha filha para estudar”, afirma um pai de família. “Se for preciso, vendo o gado e até um pedaço de terra para construir uma casa na cidade, mas prometo que dou estudo a minha ‘pequena’”. O processo industrial colocou na mente das pessoas a compulsividade do consumo. A roupa da marca X, o tênis da marca Y. A abertura e a expansão do comércio fez com que os serviços ganhassem espaço na vida das pessoas. O acúmulo de capital se tornou mais presente. A ambição de conquistar um emprego melhor e, assim, firmar-se como sujeito de suas ações, transformou-se em quase uma obrigação para ser ‘gente’ e ter voz ativa no contexto social.

A educação tão sonhada por famílias, artistas, intelectuais e educadores, na prática, não atende as necessidades da nova era. Os gestores públicos, muito mais por a ausência de compromisso do que por a falta de conhecimento técnico e intelectual, são tragados pela ideia do patrimonialísmo fácil e - contas gordas e lavagem de dinheiro - não desenvolvem políticas públicas em prol dos serviços de saneamento básico e educação ambiental, na sua forma mais ampla. Inexiste um trabalho de fiscalização e controle do uso material a ser retirado da natureza para a concretização da necessidade humana.

Em se tratando de Nordeste, em especial a região semiárida, os constantes períodos de estiagem, associado à necessidade da construção de barragens, seja simplesmente para o acúmulo de água ou para a geração de energia, é um fator preponderante para a matança dos rios e para a extinção das várias espécies de vida, inclusive, a cultural e econômica das populações que ali habitam.

A modernidade chegou e disse ao homem que a natureza possui todos os mecanismos que ele precisa para fazer valer o seu potencial. A cada dia, uma nova tecnologia é colocada à prova. Nossas matas foram desordenadamente devastadas pelo golpe do machado, do motosserra; florestas aniquiladas; biomas mutilados. Para tanto, a pós-modernidade mostra a cara e aponta para a teoria do desenvolvimento sustentável, código florestal e demais afins. Todos os países são orientados a tratar o lixo; orientados a controlar a produção de gases poluentes; de elaborar uma nova legislação que discipline o corte da madeira. As geleiras dos polos norte e sul estão se desmanchando. O que fazer? Será se ainda a tempo da pós-modernidade curar os efeitos causados pela ambição moderna?

Fonte: Prof. Francisco de Assis Sousa
Ilustração: Equipe R&R
Link da Web: http://www.tvcanal13.com/municipios/cronica-o-escarnio-da-modernidade-por-francisco-de-assis-sousa-20194.html
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